É surpreendente a capacidade de subjetivar. Aquela, lembra?! que nós perdemos ao longo do tempo. Tornamo-nos diretos, objetivos, pragmáticos...isso é isso, tem que ser assim, sem brechas para o pensamento voar, para a imaginação criar por além de seus próprios muros...existem muros para a imaginação?! Talvez, aqueles que nós mesmos construímos, para nos proteger das nossas fantasias... sim, elas assustam, se não estamos acostumados a elas.
O filho de um amigo, do altar de sua infância, desenhou uma caixa (?) que, ao centro, continha um relógio. Para nós, adultos sem graça, era só isso: uma caixa com um relógio, mal desenhados por aquela sabedoria infantil. Mas o pai nos esclareceu que o seu garoto, ao ser interrogado sobre o que era aquilo, respondeu prontamente:
"Papai, é o tempo!"
A resposta chegou a me emocionar. Não por ser uma resposta esperta, de um garotinho sapeca e inteligente. Mas pela capacidade de subjetivação. Esta, que tanto persigo, e, às vezes, perco a esperança de reencontrá-la. Prestem atenção, eu disse "às vezes". Porque não sou de perder esperanças. Nisso acho que me assemelho às crianças. Pode parecer ingênuo, mas ainda acredito em muita coisa. E nessa capacidade de subjetivar.
Creio que seja importante o exercício. Como uma "malhação" diária, alimentando-me de conversas lúdicas, de escritos feitos por loucos de todas as épocas, de imagens que transportam a outros mundos... sim, amigos, é possível retomar o gosto pelo irreal, pelo sonho, por aquelas idéias que parecem distantes, inatingíveis, mas que, só por existirem em nossas mentes, já nos dão certo conforto...
Lembrei de um texto do Pessoas, em que ele cita uma criança que diz ter vontade de "verter lágrimas", e não de "chorar". Seria lindo se sempre agíssemos assim, numa perspectiva de dizer as coisas como as sentimos, e não presos a expressões linguísticas que muitas vezes não traduzem o que queremos dizer, em essência. Talvez tudo ficasse mais fácil, porque as palavras carregam o peso das vivências de cada um, e o que pode ser leve para um...
Repito muitos "sim". Sim (ops!) mas é como se fosse um mantra de afirmação. Digamos sim à vida, às loucuras nossas de cada dia, aos pensamentos fantásticos - sem julgá-los insanos, aos sinais do Universo (que, mesmo sem saber decifrá-los, pela falta de subjetivação! chegam a todo instante, num correio frenético), a tudo que é vivo e que, só por isso (só?!) têm força...
Falar é tão fácil, e acredito que falamos muito. A necessidade de se expressar, de se comunicar, de se fazer entender, é ansiosa, premente, urgente. Mas, prá que pressa?! Subjetivando, viajando, mergulhando, voltamos ao centro. De onde nunca deveríamos ter saído.
Escrito por Ceiça Lima às 10h54 AM
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