Almocei com uma amiga. Ela disse uma frase fatal:
“Nós somos broxantes!” (Ou seria brochantes?! - não importa, o sentido é o mesmo...).
A conversa girava em torno de mulheres desinteressantes, sem vida própria, apáticas, que chegam em casa e só querem colocar aquele camisolão folgado e dormir, que têm poucos amigos, poucos interesses além de homens, homens, homens... Os seus, os das outras, os que deveriam ser e não são, os que ainda não foram, os que passam e nem nos olham, os egocêntricos, os parrudos, os isso, os aquilo...
A vida deve ser mais interessante que isso. Acredito que seja. Mas por que para as mulheres parece tudo tão difícil?!
É uma luta desigual. Ainda é. As que, a duras penas, conseguem sair desse círculo vicioso, levam a pecha – dada por eles, diga-se de passagem – de ser mal amadas, de não inspirar confiança, de ser até interessantes, mas para ser dos outros (“para ser minha mulher, não!”).
Ter outros interesses é saudável, não serve só para atrair homem! Numa cultura machista, internalizada até mais pelas mulheres do que pelos próprios homens, viver em função deles é ser a mulher ideal. Vestir as roupas que lhes agrada, comprar calcinhas sexies para manter o tesão dele aceso (doce ilusão!), fazer a comidinha que ele mais gosta, colocar o vinho prá gelar, porque ele vai chegar cansado, etc., etc.,etc. Tudo para que ele não sinta vontade de procurar “outra”.
Mais uma doce ilusão! Nada contra fazer o que foi dito antes, desde que seja feito por amor, por afeto, por paixão, por tesão, ou seja lá pelo que queira chamar (os homens não distinguem essas coisas, mesmo...). Mas competir com a outra, ou com as outras, é muito difícil. Porque elas sempre vencerão. São doces, meigas, sempre disponíveis, fazem declarações de amor que são sempre bem vindas, independentes da hora, dia e lugar... Sempre carentes, têm uma história (ou estória?!) triste prá contar, de suas dores de amores, o que as torna mais atraentes, e faz com que eles tenham vontade de cuidar delas...
Já repararam como a mulher dos outros, ou as avulsas - como diz um amigo - são mais legais, mais engraçadas, mais divertidas?! Até as de cabelo mal tratado, ou desgrenhado, ou as de calcanhar rachado, são sexies?!
O pulo do gato (quanta pretensão, a minha!): elas não estão nem aí pra eles! O que vier, é lucro! E olhe que elas têm lucrado bastante... É bem verdade que muitas se utilizam desses artifícios, fazem o estilo “não preciso de homem” para justamente atraí-los...
Mas muitas realmente não estão nem aí! Vivem suas vidas, gostam de si mesmas, vêem graça em tudo e em todos, e fazem dos homens um acessório... ou, para não ser tão grosseira, os colocam como parte de suas vidas, mas não o centro dela.
Talvez o fato de ser interessante para si mesma cause uma sensação de tanto bem estar, que reflete nas outras pessoas - inclusive neles - e volta com mais força para nós...
Por isso, minha amiga - a que desencadeou essa “reflexão” (!) – não se rotule dessa forma ... broxantes são eles, que, muitas vezes, nos julgam pela casca, nos subestimam, acham que sabem tudo, que conhecem bem as mulheres, quando estão é se perdendo em doces ilusões, viajando em fantasias irrealizáveis, deixando de experimentar, no real, aquilo que alguns chamam de “a tal da felicidade”...
Escrito por Ceiça Lima às 04h04 PM
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